A Pandemia que, há 100 anos, levou 2 dos Pastorinhos de Fátima

FRANCISCO E JACINTA - 2 CRIANÇAS VÍTIMAS DE PNEUMÓNICA DE 1918 -19

Teresa Lage


Em 2021 comemora-se o 104º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos, na Cova da Iria.

Devido à pandemia do novo coronavírus, para manter o distanciamento social, este ano, o 13 de Maio é comemorado em Fátima com um número limitado de peregrinos

Mas sabias que foi devido a uma pandemia que, há um século, morreram Francisco e Jacinta, 2 dos pastorinhos de Fátima?



No dia 13 de maio de 1917, 3 crianças, Lúcia dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos), afirmaram terem visto “uma senhora mais brilhante do que o Sol" sobre uma azinheira de um metro de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, próximo da aldeia de Aljustrel.

Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via-a, mas não a ouvia.



Segundo os testemunhos recolhidos na época, a Senhora disse às 3 crianças que era necessário que rezassem muito e que aprendessem a ler. Convidou-as a voltarem ao mesmo lugar, na Cova da Iria, no dia 13 dos cinco meses seguintes, sempre à mesma hora.

As 3 crianças assistiram, então, a mais aparições no mesmo local a 13 de junho, 13 de julho, 13 de setembro e 13 de outubro.

Em agosto, a aparição ocorreu no dia 19, no sítio dos Valinhos, a cerca de 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, dia 13, as crianças tinham sido presas e levadas para Vila Nova de Ourém pelo administrador do concelho.

A 13 de outubro, na Cova da Iria, perante cerca de 50 mil pessoas, Nossa Senhora disse aos pastorinhos: "Eu sou a Senhora do Rosário" e pediu que fizessem ali uma capela em Sua honra, conhecida hoje como a Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima.

Muitos dos presentes afirmaram ter observado o chamado "Milagre do Sol", prometido às três crianças nas aparições de julho e setembro.



As aparições de Fátima aconteceram há 104 anos, numa altura em que, terminada a primeira guerra mundial, a Pneumónica ou Gripe Espanhola, chegava a Portugal para dizimar, em cerca de 2 anos, dezenas de milhares de pessoas.

Graças a esta pandemia, num país muito pobre que acabara de sair de uma guerra, algumas regiões perderam cerca de 10 por cento da sua população!

O combate à doença, liderado por Ricardo Jorge, então diretor geral da saúde, passou pelo encerramento de escolas, a proibição de feiras e romarias.

Para assistir os doentes foram requisitados dezenas de espaços públicos que passaram a funcionar com enfermarias, mas o número de vítimas era tão grande que ao longo de várias semanas se viveu uma situação de caos.



Francisco Marto era uma criança típica do Portugal rural da época. Como não era obrigatório, não frequentava a escola e trabalhava como pastor com a sua irmã Jacinta Marto e a sua prima Lúcia dos Santos. Após as aparições de Fátima, Francisco ingressou no ensino primário, mas acabou por deixar de assistir às aulas.

Filha mais nova de Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus dos Santos, Jacinta trabalhava também como pastora, com o irmão e a prima. Após as aparições na Cova da Iria, por recomendação que, disse, lhe tinha sido dada por Nossa Senhora, Jacinta entrou na escola primária. Segundo Lúcia, Jacinta era uma criança afetiva e muito afável e emocionalmente frágil.



Apesar de dizerem que Nossa Senhora, numa das Suas aparições, lhes tinha pedido moderação, as 3 crianças tinham o costume de praticar penitências. É possível que, a pobreza da sua condição e os prolongados jejuns, os tenham enfraquecido, numa altura em que epidemia varria a Europa.

Um mês depois do fim da primeira guerra mundial, a 23 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta Marto adoeceram vítimas de pneumónica.

Francisco Marto, morreu a 4 de abril de 1919 na casa da sua família, em Aljustrel e foi sepultado no cemitério de Fátima.

A irmã Jacinta, que sofria de pleurisia e não podia ser anestesiada devido à má condição do seu coração, foi levada para Lisboa a 21 de Janeiro de 1920, para o Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres. A 2 de Fevereiro de 1920 foi internada no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.

Jacinta nunca se queixou. Foi operada ao pulmão sem anestesia e ofereceu o seu sofrimento pelos pecadores. Dizia que "era visitada por Nossa Senhora que se sentava ao lado da cama". A mãe voltou para Aljustrel antes da filha morrer, dia 20 de fevereiro de 1920.

Hoje, um dos locais do Hospital de Dona Estefânia mais visitado pelos peregrinos e pelos doentes, é o memorial de Jacinta, instalado no 2º piso, o mais perto possível do local onde a pastorinha de Fátima passou os seus últimos dias e recentemente renovado. No início de 2020, para assinalar os 100 anos da morte da Jacinta Marto, D. Manuel Clemente celebrou missa neste Hospital onde, a mais nova dos 3 pastorinhos, passou os seus últimos dias.



Há 21 anos, em 2000, na sua última visita a Fátima, o Papa João Paulo II falou com Lúcia, beatificou os dois pastorinhos já falecidos - Francisco e Jacinta e revelou a 3ª parte do segredo de Fátima.

Em 2017, a 12 e 13 de Maio, o Papa Francisco visitou o Santuário de Fátima, na comemoração do centenário das aparições e canonizou os pastorinhos beatos Francisco e Jacinta Marto.

Os dois irmãos, que a pandemia levou há 100 anos, são os mais jovens santos, não mártires, na história da igreja católica.


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